
Tanques e veículos militares israelenses trafegando por uma estrada entre casas destruídas no sul do Líbano,perto da fronteira com Israel,em 25 de abril de 2026 — Foto: Jalaa Marey/AFP
GERADO EM: 29/04/2026 - 20:40
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Israel ocupa quatro territórios que não pertencem aos israelenses: Colinas do Golã,sul do Líbano,Gaza e Cisjordânia. Cada uma dessas ocupações tem características diferentes e todas são consideradas ilegais pela legislação internacional. No passado,Israel ocupou o Sinai,mas devolveu a região ao Egito depois do acordo de paz. Também ficou fora do território libanês por um quarto de século,até retornar em 2024 após ataques do Hezbollah. Ao longo desta coluna,explicarei estas ocupações,que podem ser classificadas como de colonização (Golã e Cisjordânia) e de segurança e destruição (Gaza e sul do Líbano).
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As Colinas do Golã foram ocupadas na Guerra dos Seis Dias,em 1967. Israelenses e sírios voltariam a travar um conflito na região em 1973. Anos depois,a região seria anexada por Israel em ação não reconhecida pela comunidade internacional — apenas os Estados Unidos passaram a reconhecer no primeiro governo de Donald Trump. As poucas dezenas de milhares de habitantes,majoritariamente drusos,receberam o direito à cidadania israelense. Alguns aceitaram,outros não e preferiram continuar sírios.
O argumento israelense para manter as Colinas do Golã seria de segurança,ainda que a Síria não tenha atacado Israel há mais de 50 anos (e o atual regime chegou ao poder em 2024). Até 2011,era a mais tranquila das fronteiras israelenses.
Houve negociações fracassadas tanto de Hafez al-Assad quanto de seu filho Bashar com Israel para o retorno das colinas para os sírios. Há décadas,há uma estação de esqui israelense no território sírio e vinhos das Colinas do Golã são vendidos ao redor do mundo como se fossem de Israel,apesar de as vinícolas estarem numa área oficialmente síria.
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A Cisjordânia se difere das Colinas do Golã por ser uma região mais populosa,onde vivem 3 milhões de palestinos. Outra diferença é que eles não recebem direito à cidadania israelense porque o território nunca foi oficialmente anexado — segue apenas “ocupado”. Há ainda a colonização israelense,com centenas de milhares de colonos vivendo em assentamentos considerados ilegais pela comunidade internacional.
Todo o sistema de ocupação tem como base os Acordos de Oslo dos anos 1990,que tinha como objetivo servir de transição para a criação de um Estado palestino. A atual administração de Israel,no entanto,é contra uma Palestina independente. Nos últimos anos,cresceram os atentados terroristas cometidos por colonos e a Autoridade Nacional Palestina está próxima do colapso.


Gaza chegou a ser desocupada por quase duas décadas,embora Israel sempre tenha mantido o controle das fronteiras terrestres (com o Egito) e do espaço marítimo e aéreo. Depois do atentado do Hamas em 2023 e da guerra nos dois anos seguintes,Israel mantém uma ocupação de 55% do território,que foi completamente destruído,com a expulsão da quase totalidade da população para os restantes 45%,controlados pelo Hamas. O objetivo é criar uma zona-tampão.
Essa mesma estratégia tem sido usada no sul do Líbano,onde a população também foi expulsa e Israel buscar criar uma zona-tampão numa faixa da fronteira entre os dois países até 10km dentro do território libanês,destruindo praticamente todos os vilarejos. O objetivo oficial é de conter ataques do Hezbollah. Enquanto o Golã e a Cisjordânia seriam ocupações para colonização,Gaza e sul do Líbano são ocupações para segurança e destruição.